SobreTudo | Aluisio Moura

Ceilândia vista com outros olhos

Neste blog fala-se de qualquer assunto. Mas o foco principal são os problemas urbanos, especialmente aqueles relacionados com Ceilândia e o Distrito Federal

Não dá para esquecer

06/03/2010 · CIDADANIA

Do Blog Brasília, eu vi:

Roriz, o pai de todos
por Leandro Fortes

Graças a Joaquim Roriz, candidato ao governo do Distrito Federal pelo PSC, à rotina de escândalos políticos de Brasília, simbolizada pela prisão do governador José Roberto Arruda (ex-DEM), agregou-se o deboche. Desde o dia 23 de fevereiro, Roriz aparece em rápidas inserções do programa eleitoral do PSC, do qual é presidente de honra, para demonstrar uma inusitada indignação com o esquema de corrupção montado por Arruda e aliados no DF. As falas, visivelmente editadas, tentam compensar a incapacidade de articulação narrativa de Roriz, mas o elemento ofensivo do discurso não está na forma, mas no conteúdo. Roriz, pai de todos os escândalos do DF, nos últimos 20 anos, se diz indignado com o que vê. E não se trata de uma piada.

“É tão vergonhoso, é tão escandaloso e eu fico numa indignação eu fico numa vergonha meu Deus do céu, como pode chegar nisso aí?”, pergunta Roriz, aos céus. “Mas, por outro lado, eu vejo firmeza na Justiça. A Justiça vai punir, a Justiça vai fazer como ela está fazendo. Então eu fico, por um lado eu fico com profunda decepção, e, por outro, cheio de esperança que a Justiça cumpra seu dever”, ensina o probo ex-senador do PMDB que, ocasionalmente, renunciou para não ser cassado por corrupção.

Joaquim Roriz, goiano de Luziânia, governou o Distrito Federal por quatro vezes, a partir de 1988, indicado bionicamente pelo então presidente José Sarney. Desde então, dedicou-se à construção física de currais eleitorais em forma de imensos e miseráveis assentamentos em torno da capital federal, aos quais se vinculou por meio de distribuição de lotes e por um discurso político populista e messiânico, deliberadamente repleto de erros de português e de citações religiosas. Ocorre que, em nome de Deus, Roriz já fez o diabo.

Contra o ex-governador há o registro de seis notícias crimes e cinco inquéritos no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Trata-se de um rol que inclui desde racismo (chamou um eleitor de “crioulo petista, durante um comício) a improbidade administrativa, falsidade ideológica e crimes contra a fé pública. Mas, enquanto permaneceu no mundinho quadrado do Distrito Federal, Roriz sempre conseguiu se safar, de um jeito ou de outro, ora debruçado sobre genuflexórios das igrejas locais, ora derramado em lágrimas entre cabos eleitorais mantidos nas monumentais favelas que ajudou a criar em torno de Brasília.

Em 2006, Joaquim Roriz, então no PMDB, decidiu se candidatar ao Senado Federal. Embora tivesse uma vice candidata a sua sucessão, Maria de Lourdes Abadia (PSDB), a quem já chamou de “vadia” em um comício, em 1994, Roriz apoiou o candidato do PFL, hoje DEM, José Roberto Arruda. Foi dessa simbiose, iniciada anos antes, quando Arruda foi secretário de Obras de Roriz, que nasceu o escândalo apelidado de “mensalão do DEM”. Qualquer outra tese sobre o tema é escapista. Não há nada de rigorosamente novo no escândalo de corrupção do DF que não tenha se originado das práticas e das gentes dos governos Roriz. Escândalo que o ex-governador acompanhou de longe, quieto, porque, ao botar o nariz para fora da política local, ele só conseguiu ficar cinco meses no Senado, do qual se afastou, em julho de 2007.

As circunstâncias políticas da renúncia de Roriz são emblemáticas, sobretudo quando se ouve, hoje, o ex-governador botar tanta fé e esperança na força da Justiça. Em 2006, Roriz foi flagrado em escutas telefônicas da Polícia Civil do DF quando negociava a partilha de um cheque de 2,2 milhões de reais com o então presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Tarcísio Franklin de Moura. A justificativa de Roriz para o flagrante adiantava o clima de deboche que viria. Segundo o ex-governador, o dinheiro era para pagar a compra de uma bezerra premiada do empresário Nenê Constantino, dono de uma empresa de transporte urbano do DF e da Gol Linhas Aéreas.

Depois da renúncia, a Polícia Civil do DF passou a trabalhar com a possibilidade de o dinheiro de Roriz ter sido oriundo de uma propina milionária por conta da mudança de destinação de um terreno que pertencia a um aliado, comprado por uma das empresas de Constantino. O suplente de Roriz e seu sucessor no Senado, Gim Argello (PTB), é apontado como intermediador do negócio.

A nova ofensiva política de Joaquim Roriz, baseada numa peça de marketing que afronta à inteligência do eleitor do DF, é uma aposta decisiva numa amnésia ainda a ser combinada, não se sabe a que preço, com a mídia local. Isso porque basta passar os olhos pelos nomes citados na Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, para perceber, de imediato, a ligação visceral entre as estrelas dos vídeos de corrupção explícita que derrubaram Arruda e os governos comandados por Joaquim Roriz.

A deputada Eurides Brito (PMDB), flagrada enquanto enchia uma bolsa de couro com maços de notas de cem reais, foi secretária de Educação e, depois, líder do governo Roriz. Cargo, aliás, que viria a desempenhar, também, no governo Arruda. Em texto escrito em um blog pessoal, na semana passada, ela acusou o ex-governador de ter ordenado a ela botar a mão na dinheirama. Seria, segunda a deputada, para garantir apoio a José Roberto Arruda, nas eleições de 2006. “Foi um dinheiro que o Roriz mandou eu receber”, afirma Eurides.

O deputado Júnior Brunelli, do PSC, era o parlamentar que organizava o apoio a Roriz entre as lideranças evangélicas do DF. Entre 2005 e 2006, foi presidente da Comissão de Constituição de Justiça da Câmara Legislativa, cargo-chave para as operações de Roriz no governo, sobretudo no que diz respeito a pareceres para liberação de créditos suplementares para empresas, segundo a Operação Caixa de Pandora, vinculadas ao esquema de corrupção do DEM. Brunelli, que renunciou ao mandato para não ser cassado, ficou famoso por comandar a famosa “oração da propina”, proferida em honra ao corruptor Durval Barbosa.

O deputado Leonardo Prudente (ex-DEM), ex-presidente da Câmara Legislativa, mais conhecido pela alcunha de “deputado da meia”, também presidiu a Comissão de Economia, Orçamento e Finanças da Casa, durante o governo Roriz. Também graças a ele, os créditos suplementares da Codeplan eram resolvidos em menos de 72 horas. Prudente também renunciou para não ser cassado.

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Vigilante também defende intervenção no DF

02/03/2010 · CIDADANIA

O Blog do jornalista Ricardo Noblat publicou hoje (02/03) este artigo do ex-deputado Chico Vigilante, apoiando a proposta de intervenção no DF.

Onde vamos esconder nossas vergonhas?

Chico Vigilante

É uma vergonha os conchavos políticos que estão sendo produzidos na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Melhor dizendo, é uma afronta à opinião pública e a inteligência do eleitor brasiliense. Mais do que isso: é um argumento contundente para justificar a intervenção federal no Distrito Federal e por um ponto final na bandalheira que tomou de assalto o Executivo e o Legislativo local.

Para mim não resta dúvida: a Câmara Legislativa deu sinais claros que a crise política entrou pela porta e o bom senso dos políticos saiu pela janela.

É a primeira vez, em toda a minha trajetória de vida pública, que eu vejo a eleição de um Judas. Um não: três. Os distritais acreditam cegamente que degolando as cabeças de Eurides Brito, Leonardo Prudente e Júnior Brunelli vão enterrar de vez no cemitério do esquecimento as graves denúncias que atinge mais de um terço da Casa e entorna lama no Tribunal de Contas do DF.

Não sei com que cara os distritais pretendem ir ao Supremo Tribunal Federal se posicionar contrários a intervenção no DF. Pior, não sei com que coragem eles pretendem usar o argumento da autonomia política.

Se a autonomia está ameaçada é um efeito colateral do comportamento da própria Câmara Legislativa que, como contam as denúncias, se vendeu para aprovar projetos, foi subserviente aos desejos do Executivo e agora, por último, está tramando um golpe contra a população salvando da execração pública e do julgamento popular os mensaleiros investigados pela Polícia Federal.

O nome dessa vergonha desenhada pela Câmara Legislativa, ao menos na minha terra, é golpe.

Os deputados distritais tinham de cumprir seu dever e apurar a fundo a participação de todos os parlamentares citados, as acusações de pagamento por parte do GDF à distritais para a aprovação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) e apoiar a intervenção federal e a transparência da gestão de todos os contratos do governo.

O posicionamento da Câmara Legislativa é temerário e abre espaço para outras decisões suspeitas do Executivo, como a contratação, sem licitação, das empresas do tio do deputado Cristiano Araújo. Decisão tomada já pela caneta de Wilson Lima.

Pelo que parece, a Câmara não aprendeu a lição está mantendo como regra o toma lá da cá.

Eu estou convencido. Por tudo que estamos assistindo, tenho certeza que a intervenção é o melhor remédio. Senão, vejamos:

O governador eleito está preso; secretários de estado e diretores de empresas públicas são citados como suspeitos pela polícia; as autarquias estão sob a mira dos investigadores; grande parte dos distritais tem envolvimento direto com o mensalão do DEM; o Tribunal de Contas do Distrito Federal está sob suspeição; o vice-governador eleito, após uma série de trapalhadas, se viu obrigado a renunciar e o governador interino saiu em defesa dos mensaleiros.

Se tudo isso não justifica a intervenção, não sei mais o que teria de acontecer.

O argumento da autonomia política é pífio. A intervenção é uma medida emergencial para sanar a situação criada por comportamentos nefastos, como os da Câmara Legislativa, e pela atuação deliberada de corruptos que estão à frente do GDF há quase duas décadas.

É um remédio amargo, mas é a dose exata para estancar a hemorragia de escândalos.

Distritais e a Ordem dos Advogados do Brasil deveriam estar defendendo a moralidade e a apuração das denuncias de compra de votos para a aprovação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT).

Fazer discurso contra a intervenção é prestar um desserviço à população do Distrito Federal.

Chico Vigilante é do Diretório Regional e ex-presidente do PT-DF, também foi deputado federal e distrital.

Comento:

Vigilante está certo ao apoiar a intervenção no GDF e em pedir a cabeça dos distritais mensaleiros.

Mas é bom não esquecer que o PT precisa lavar o dedo antes de apontá-lo para o mensalão dos outros.

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Campanha ilegal

01/03/2010 · CIDADANIA

Do Correio Braziliense desta segunda-feira (01/03):

Clima eleitoral nas ruas de Ceilândia. Na manhã de ontem, cerca de 300 veículos participaram de uma carreata de 10km na cidade. O movimento intitulado Acorda, Ceilândia foi organizado por duas legendas — Partido Trabalhista do Brasil (PT do B) e Partido Social Cristão (PSC), do ex-governador Joaquim Roriz. Muito antes do prazo permitido para a propaganda eleitoral — que só poderia começar em julho — subiram ao carro de som pré-candidatos declarados, como o deputado federal Laerte Bessa (PSC) e Mauro Cezar (PT do B), ambos delegados. Como pretexto, disseram que queriam orientar a população sobre a importância do voto consciente.

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Sábias palavras

24/02/2010 · CIDADANIA

Do blog do jornalista Villas-Bôas Corrêa:

O baixo nivel da politicagem de Brasília

O escândalo da distribuição de pacotes de notas pelo engaiolado ex-governador de Brasília, José Roberto Arruda, quando a sua gang foi filmada escondendo a propina nas meias, na cueca, nas dobras das calças e que vai sendo empurrado de moro abaixo do esquecimento, apenas confirmou o que se sabe há quase 50 anos, desde a inauguração da nova capital pelo JK, em 21 abril de 1960. Mas, de novidade mesmo o aprimoramento dos truques para esconder a mesada da corrupção e o primeiro instantâneo de um governador reunindo assessores, deputados estaduais para embolsar a gaita da máfia.

O úbere da corrupção alimenta muitas goelas. E um dos que conquistaram seu lugar no mostruário da fama é o milionário vice-governador Paulo Octavio, que foi governador de Brasília o tempo para posar para a fotografia. Isolado no DEM, uma legenda influente no cerrado, pressionado por novas denúncias de corrupção (o que não deve constrangê-lo, afinal era a moda no seu partido e no governo) Paulo Octávio renunciou na mesma folha de papel ao governo de Brasília, a vice-governadoria e ao Democratas. Foi o terceiro governador em 12 dias. É de lamentar que não seja o último.

Os 2,5 milhões de habitantes da capital planejada para no máximo 500 mil habitantes devem estar saboreando a emoção de serem governados pelo deputado Cabo Patrício, vice-presidente e da corporação do PT. Antes de guardar o lenço úmido das suas lágrimas, o multimilionário deputado Paulo Octávio, governador para enfeitar a biografia, desabafou com os jornalistas as suas queixas e críticas aos que o traíram, deixando para a posteridade o conselho que é uma máxima do óbvio: “Uma intervenção no Distrito Federal seria muito ruim, abalaria a autonomia política da capital do país”.

Pois é exatamente o contrário. Nos debates na campanha para valer, seja na rede nacional de propaganda eleitoral, ou promovidos pelas redes de televisão e emissoras de rádio, necessariamente analisarão a fórmula para recolocar Brasília como o distrito federal, sede dos problemas da República, sem os balangandãs de governador, assembléia legislativa, o absurdo da câmara de vereadores e demais excrescências. Brasília é vítima da deformação e da demagogia, das propinas, da semana parlamentar de três dias, de todas as sanguessugas que foram se multiplicando até o escândalo do governador José Roberto Arruda e das tolices do suplente Paulo Octávio.

Brasília pode, precisa ser salva. É o tema sério da campanha eleitoral. Se nada for feito, o ex-governador Roriz, recordista da favelização, será reeleito governador. E dará conta do que sobrou.

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Máfias das invasões já começam a botar as mangas de fora

18/02/2010 · PELA CIDADE

Do Correio Braziliense desta quinta-feira (18):

Volta das invasões

Com ou sem governador no cargo, a Polícia Civil do DF está pronta para prender as lideranças que se aproveitarem da crise institucional no GDF para incitar invasões de áreas públicas.

Cerca de 2 mil pessoas estão sendo incentivadas a invadir áreas no Itapoã. E já testemunharam dizendo que os líderes estariam falando em nome de Joaquim Roriz (PSC) e de Jaqueline Roriz (PMN).

A promessa é que pode invadir que Roriz voltará ao governo e deixará todo mundo ficar.

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