Será que os acreanos aceitam fazer uma troca?

25/01/2012

O Acre é aquele Estado brasileiro tão longe de tudo que muita gente pensa que nem existe.

Mas ele existe, sim. E, por incrível que pareça, tanto o Estado quanto sua capital, Rio Branco, vêm sendo governados pelo PT há muitos anos.

Digo por incrível que pareça porque, enquanto governos petistas de outras partes do Brasil pouco ou nada têm a apresentar de novo (como bem sabem os brasilienses), no Acre a situação é muito diferente.

A pequena Rio Branco, mesmo perdida nos confins da Amazônia, vem passando por transformações urbanísticas que a levarão, em pouco tempo, a se tornar uma espécie de Curitiba da Região Norte.

A cada dia a cidade ganha novas calçadas, calçadões, ciclovias, praças e jardins, construídos com uma qualidade e com um apuro estético que, embora sejam algo corriqueiro nas melhores cidades do mundo, no Brasil a gente só encontra em algumas poucas áreas urbanas, a maioria no Sul e no Sudeste.

Sei que a experiência é torturante, mas vamos lá assim mesmo: feche os olhos e tente lembrar por alguns instantes do que você vê quando anda pelo centro de Brasília ou pela Avenida W3 Sul.

Quando dá uma volta pela Avenida Comercial ou pelo centro de Taguatinga, com sua feiúra ostensiva, sua ausência de verde, suas calçadas desniveladas e esburacadas, suas ruas encardidas e sua iluminação de quarenta anos atrás.

Para finalizar, traga à memória também as “cicrovias” para ciclistas com labirintite e as calçadas de areia que andam construindo em Ceilândia ultimamente e exibindo com indisfarçável orgulho.

Agora, para desestressar (ou ficar ainda mais estressado), dê uma olhada nas fotos da galeria no final deste post.

Veja nelas o que os petistas do Acre andam fazendo por lá… e torça para que os petistas do DF aprendam com eles que lojista que não cuida bem da vitrine perde a clientela e vai à falência.

Se o aprendizado não acontecer, torça para que ao menos os acreanos aceitem fazer uma troca: eles mandam para cá petistas que sabem das coisas e os brasilienses mandam para lá esses que estão por aqui sem saber direito o que fazem.

Duvido que eles topem. Mas… não custa tentar.

Fotos: Skyscrapercity.com

Recapeamento mal feito é um perigo!

20/01/2012

E o GDF está recapeando algumas vias de Ceilândia, louvado seja Deus!

O problema é que continuam achando que basta fazer, não precisa fazer bem feito.

Por isso, mesmo naquelas vias que já foram recapeadas em algum momento longínquo do passado, o processo de fresagem (remoção de parte do asfalto antigo com problemas) está sendo realizado – se é que está - apenas superficialmente.

Resultado: sem que se reduza suficientemente a altura do asfalto antigo, ao sobrepor a ele uma camada nova, a pista, evidentemente, fica mais alta do que era antes.

Em algumas vias de Ceilândia é possível constatar que, de recapeamento em recapeamento, a pista já está praticamente da mesma altura do meio-fio.

Naquelas onde há bueiros ou bocas-de-lobo, estes ficam abaixo do nível do asfalto e passam a representar uma ameaça aos motoristas (já falei do assunto AQUI, muito tempo atrás).

Isto sem mencionar que, ao recapear indiscriminadamente até os trechos que estão em boas condições (e não apenas aqueles com problemas), gasta-se mais tempo e material, o que encarece a obra – para alegria das empreiteiras e infortúnio dos contribuintes.

Será que insistem em cometer os mesmos erros por incompetência, desleixo, má-fé ou tudo isso junto e misturado?

Limpeza pura

20/01/2012

Em 16/06/2010 publiquei um post com o título Carrões que a gente não vê por aqui, falando sobre o vergonhoso atraso em que se vê mergulhado o Serviço de Limpeza Urbana do DF.

Hoje o portal Rio 247 informa que o Rio de Janeiro, cidade que produz e recolhe 9 mil toneladas de lixo por dia, ganhou nesta manhã três reforços mecânicos para o serviço de varrição de calçadões e ruas.

São carros leves, movidos a óleo diesel, fabricados na Escócia e capazes de executar durante uma jornada o trabalho equivalente ao desempenho de 11 garis. Eles foram adquiridos ao preço de R$ 300 mil cada um e apresentados hoje na Praça do Leme.

À parte o altíssimo preço pago pela prefeitura carioca (que certamente já embute o tradicional superfaturamento do qual nenhuma compra pública escapa no Brasil), o Rio de Janeiro sai na frente.

E Brasília, como fica?

Querem enterrar Brasília. Literalmente.

20/01/2012

No centro de Brasília, a insegurança e o abandono campeiam.

E as propostas mirabolantes para lidar com essa situação também.

Leia esta nota publicada hoje na coluna Do Alto da Torre, do Jornal de Brasília (comento em seguida):

Um subterrâneo no centro do DF

A direção do Conjunto Nacional reúne-se hoje com o vice-governador Tadeu Filippelli. Tentará obter sinal verde para um projeto de construção de subterrâneo que ligaria a garagem do shopping ao Setor Hoteleiro Norte. Na sua nova versão, o subterrâneo será até mais amplo que o previsto inicialmente, chegando até a atual estação central do Metrô, de um lado, e à primeira estação da linha da Asa Norte, ainda em projeto. Também haverá uma ligação com o Setor Cultural Norte, o Teatro Nacional.

Comento:

Além desses túneis propostos pela direção do Conjunto Nacional, dizem que o GDF (Governo Da Fifa) pretende construir um outro, ligando o Parque da Cidade ao Estádio Nacional, para evitar que os torcedores corram riscos ao atravessar o Eixo Monumental durante a Copa do Mundo.

Como Brasília fica debaixo de neve quase o ano inteiro, realmente faz todo o sentido imitar cidades do Canadá ou da Rússia e construir labirintos debaixo da terra para que as pessoas circulem em segurança e não passem frio.

Fosse Brasília a capital de um país tropical, a solução certamente seria outra: construir na superfície espaços arborizados, limpos, bem iluminados e bem policiados, onde os brasilienses e os visitantes da cidade pudessem circular sem medo, a qualquer hora.

Como se não bastasse a proliferação de condomínios fechados que está levando o DF de volta à Idade Média, quando as cidades eram cercadas por muralhas, agora querem que os brasilienses virem tatus.

A construção desses túneis para pedestres no centro da Capital deixará os espaços públicos menos movimentados, mais abandonados – e ainda mais perigosos.

Desse jeito dá para acreditar que Brasília possa ainda ter algum futuro?

Para finalizar: o Conjunto Nacional, para quem não se lembra, é aquele enorme shopping center que fica ao lado da “limpa” e “bem cuidada” Rodoviária do Plano Piloto.

Na frente do shopping há um estacionamento parecido com um lixão, onde o cheiro de urina é quase insuportável. À noite, funciona ali um prostíbulo a céu aberto. Já na parte de trás há um segundo estacionamento, que vira cracolândia depois das 22h.

A direção do Conjunto Nacional, obviamente, acha que nada tem a ver com esses problemas, pois isso é assunto só do governo.

E mesmo quando se propõe a assumir responsabilidades, prefere acreditar que dá menos trabalho e sai mais barato construir túneis para que os olhos e narizes de seus visitantes não sejam molestados por cenas e odores desagradáveis.

Colaborar com a limpeza, a conservação e a vigilância de seus arredores sairia bem mais em conta.

Vá entender!

Crack corre solto no DF

19/01/2012

Do site Brasília 247:

Crack se espalha pelos bairros ricos de Brasília

A poucos metros do centro do poder, usuários queimam pedras de crack sob o sol quente de Brasília. Nem a alta movimentação de pessoas, muito menos a proximidade com os poderosos de gravata intimidam os viciados a usar a droga à luz do dia numa das 12 cracolândias encontradas pelo Distrito Federal. Mapeamento elaborado pela Secretaria Nacional Antidrogas em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz, a Fiocruz, mostra que é pelos bairros nobres e em meio à gente rica de Brasília que a droga mais se espalha. O estudo aponta a invasão da droga em nove cidades, mas o pior cenário encontrado está na capital, onde há três pontos fixos de usuários.

É na cidade projetada por Lucio Costa, onde os prédios devem permanecer livres à circulação de pessoas, que moradores são tomados pelo medo de descer do apartamento e serem abordados por viciados pedindo dinheiro para comprar droga. No Plano Piloto há pelo menos três pontos críticos de usuários da pedra. Nas quadras 106/306 Sul e 315 Norte, onde se concentram também um dos maiores números de prostitutas durante o período da noite, e na região central de Brasília, nas proximidades da Rodoviária, onde circulam cerca de 500 mil pessoas por dia, a droga corre solta.

O mapeamento mostra os pontos de uso de drogas também em Ceilândia, Taguatinga, Samambaia, Recanto das Emas, Sobradinho, Gama, Planaltina e Paranoá. Em cada uma dessas regiões administrativas, dezenas de pessoas consomem a pedra diariamente. A pesquisa ainda não está finalizada, o que impossibilita analisar a densidade da população afetada em cada ponto. No entanto, o secretário em exercício da Secretaria de Segurança Pública, Jefferson Ribeiro, alerta que a situação do Plano Piloto, com três pontos críticos, da área central de Ceilândia e de Taguatinga, são as mais preocupantes.

Para tentar conter a proliferação do crack, o governo resolveu monitorar área central com 37 câmeras de segurança. A partir do dia 25 de janeiro, os equipamentos de vídeo móveis e fixos entrarão em funcionamento em fase experimental. Eles serão instalados em pontos estratégicos da área central de Brasília, nas proximidades da Rodoviária. O investimento será de R$ 900 mil.

As imagens captadas pelas câmeras da Secretaria de Segurança Pública serão acompanhadas pela Central Integrada de Atendimento e Despacho (Ciade). Policiais civis e militares estão sendo treinados para realizar o monitoramento dos vídeos. Durante 24 horas por dia, sete dias da semana, três pontos com dois monitores cada um e um telão receberão as imagens do Setor Hoteleiro Sul e Norte, Setor de Diversões Sul e Norte e Eixo Monumental.

Também está sendo negociado o compartilhamento de imagens captadas por câmeras instaladas pelo Governo Federal, por meio do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), em algumas áreas do Distrito Federal. O projeto contemplará ainda a celebração de parcerias com hotéis, shoppings e outros estabelecimentos que possam ceder imagens de áreas públicas.

RT : Buenos Aires vai restringir circulação automóvel no centro da cidade | Menos Um Carro
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