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09/03/2013

A força da Ciberpolítica: depois da Espanha, a vez da Itália

Ganha força em outros países o movimento de transição da democracia representativa — em que os partidos e políticos não representam mais ninguém, só a eles mesmos — para uma democracia participativa, em que cada cidadão é seu próprio líder.

Já falei AQUI sobre a experiência espanhola.

Em artigo publicado no Estadão, o jornalista Nelson Motta mostra como o fenômeno está mudando o panorama político na Itália.

Democracia 2.0. Ou quase

Aos poucos a mídia internacional vai se dando conta do tamanho da encrenca que representa o Movimento Cinco Estrelas conquistar 25% dos votos para a Câmara e o Senado na Itália e virar o maior “partido” do país. O comediante Beppe Grillo canalizou a indignação popular contra os velhos partidos — os culpados pela Itália estar como está — xingando e esculachando seus representantes e mandando todos para casa. Mas também apresentou novas formas de participação popular e de democracia direta.

Os eleitos se reuniram em Roma para conhecer Grillo e escolher os seus líderes no Senado e na Câmara, que terão mandatos de três meses, sem reeleição. Mas Grillo não manda nada, a bancada decidiu sozinha. Uma das primeiras propostas do movimento é a redução dos 619 deputados e 315 senadores, assim como os seus salários, assessores e despesas de gabinete. Certamente vão perder no plenário, mas os velhos partidos perderão muito mais diante dos eleitores. E logo virão novas eleições.

Também vão propor a redução drástica dos fundos partidários e o financiamento público das campanhas, porque provaram que na era digital uma campanha vitoriosa pode ser feita só com doações individuais, sem cabos eleitorais pagos, sem debates na televisão, sem sujar as ruas. Da rede para as praças.

Grillo seria só a voz indignada dos cidadãos sem as novas ideias, umas brilhantes e outras bem malucas, do pensador Gianroberto Casaleggio, um grande estrategista da internet e ideólogo do movimento, propondo novas formas de organização e participação dos cidadãos e de ativismo on-line, numa transição da democracia representativa — em que os partidos e políticos não representam mais ninguém, só a eles mesmos — para uma democracia participativa, em que cada cidadão é seu próprio líder.

Além de políticos, os avanços serão culturais, a partir de uma sacudida nas estruturas partidárias pós-internet, iniciando uma mudança nos maus costumes eleitorais. A mistura de comédia italiana com alta tecnologia da informação e novas atitudes políticas não é uma piada. É um grilo para os partidos profissionais. E pode se espalhar pelo mundo.

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