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28/05/2008

Ceilândia e o mito do shopping center

A Associação Comercial e Industrial de Ceilândia (ACIC) lançou recentemente uma campanha pública estimulando os ceilandenses a ligar para o gabinete do vice-governador Paulo Octavio, pedindo que ele apóie a construção de um shopping center na cidade.

A campanha parece bem intencionada (o fato de Paulo Octavio ser dono de uma das maiores construtoras do DF deve ser só coincidência, claro), mas tem o foco um tanto enviesado. Em primeiro lugar, construir shopping centers não é tarefa do governo, mas de construtoras privadas, que os erguem, depois exploram ou revendem a terceiros os pontos de comércio. Portanto, o correto seria propor o tema à empresa Paulo Octavio Empreendimentos Imobiliários, e não à figura pública do vice-governador. Em segundo lugar, a fixação na idéia de que a cidade necessita de um centro comercial do tipo Park Shopping ou Pátio Brasil impede que se dê a devida atenção aos vários “shopping centers” que a cidade já possui, mas pouca gente parece se dar conta. O melhor, e mais mal aproveitado deles, é o próprio centro da cidade, apesar de ter um excelente traçado urbanístico, que em tudo o favorece.

Isto ocorre porque o comércio da área próxima ao fórum e das imediações da feira permanente hoje está concentrado em artigos de vestuário, calçados, móveis, eletrodomésticos, agências bancárias e uma ou outra farmácia. Esta característica faz com que o setor seja quase que apenas um local de passagem, onde as pessoas demoram-se apenas o tempo necessário para fazer compras. Após uma determinada hora, quando as lojas fecham, a área fica deserta e perigosa para quem se arrisca a transitar por ali. Agora que foi parcialmente devolvido à população, com a retirada dos vendedores ambulantes, seria a hora de transformar o centro da cidade em um imenso e prazeroso shopping center, funcionando durante as 24 horas do dia. Para isto seria necessário forçar a diversificação do comércio local, limitando, por um lado, a concessão ou renovação de alvarás a um número máximo de lojas por tipo de produto ou serviço em cada quadra. E por outro, estimulando, via isenção de impostos ou linhas de crédito especiais, a abertura de estabelecimentos que possam atrair e prolongar a permanência das pessoas no local: bares, cafés, restaurantes, lanchonetes,  sorveterias, cinemas, lojas de conveniência.

Mas, por melhores que sejam os bares ou restaurantes, por mais atrativas que sejam as vitrines das lojas, ninguém freqüentará a área central, qualquer que seja a hora, se não for criado um espaço urbano igualmente atrativo. Ruas limpas e calçadas mais amplas, iluminação adequada e policiamento ostensivo permanente, além de transporte público confiável, estimulariam as pessoas  a sair de suas casas para passear no centro da cidade que lhes pertence. A transformação de algumas áreas em mini-praças bem cuidadas, onde pudessem ser realizados eventos culturais, aumentaria a circulação de pessoas no local e teria reflexo direto nas vendas do comércio. É a falta de algumas destas condições que faz com que os outros “shopping centers” da cidade, que são as mal aproveitadas entrequadras comerciais, fiquem vazios à noite, mesmo estando mais próximos das residências e contando com um comércio mais diversificado.

O modismo dos shopping centers verticais, fechados, ilhas imaginárias de segurança, conforto e praticidade, foi adotado com certo exagero pelos brasileiros, como imitação do modelo das cidades americanas. O resultado foi o enfraquecimento dos centros comerciais horizontais (em bom português, o chamado comércio de rua). Este fenômeno deixou as ruas das cidades menos vibrantes e mais inseguras. A equação é simples, e já foi decifrada pela maioria das grandes cidades européias, cujas vias e praças estão sempre apinhadas de gente a qualquer hora do dia ou da noite: espaços públicos vazios ficam à mercê dos criminosos; ao passo que mais gente circulando ajuda a afugentar os mal-intencionados.

Em tempo: correm na cidade boatos de que o shopping center dos sonhos da ACIC (ou de Paulo Octavio) seria construído exatamente onde hoje está a feira permanente. O desaparecimento daquela feira privaria a cidade de um de seus pontos mais marcantes.

Espera-se que sejam só boatos.

Comentários

3 Comentários para “Ceilândia e o mito do shopping center”

    adauto de souza
    08/07/2008 @ 10:33

    O Centro da Ceilândia é o coração da cidade, artéria principal de uma cidade, via principal para o mundo, o mundo todo, passa no centro de nossa cidade, o centro é o principal alvo da comunidade, é fácil, e simples de resolver esta equação evolutiva, um plebicito, um seminário, uma pesquisa popular de casa em casa, exemplo uma cidade com 600 mil habitantesa como Ceilandia comporta um shoping popular, quanto aos outros problenas não há nada que um bom plantel de engenheiros não resolva. vamos chamá-los para a mesa de discussã,i vamos conhecer a deles a sugestão. opinião.

    Leao Hamaral
    23/12/2008 @ 18:36

    O Shopping em questão é mesmo da Paulo Octavio invesitmentos e ficará atrás do campo de futebol soçaite, entre Ceilândia e a M Norte.

    Será bom para a cidade e talves melhore a auto-estima do ceilandense.

    Até compraria lá uma sala comercial. Afinal, será o indereço in local.

    Leao Hamaral
    25/12/2008 @ 13:13

    PS: onde se lê talves, leia-se talvez

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