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28/03/2009

É alguma piada, coronel? Pois não tem a menor graça

Do DFVT deste sábado (28/03):

Onda de violência toma conta de Ceilândia

No P Norte, quem vive atrás das grades é a população. Bom para Emanuel Relton, dono de uma serralheria. Para ele, trabalho não falta. Mesmo assim, neste sábado ele deixou de faturar. Vai ampliar o negócio e precisa de uma grade maior.

“A polícia passa e dez minutos depois eles arrombam, levam e se escondem em áreas livres. Depois, quando a polícia chega, não resolve o problema. Já levaram toda a mercadoria mesmo”, conta Emanuel.

Na região, assalto não tem hora nem dia. O comerciante João Baptista, dono de uma farmácia, já foi alvo dos bandidos 11 vezes. Sempre à mão armada. “Houve um assalto que nos fecharam no banheiro e ficaram atendendo aqui no balcão. Pessoas que nem conhecem os medicamentos ficaram no balcão, enquanto um deles vigiava a gente lá dentro”, lembra.

José Bonifácio, outro comerciante do setor, foi assaltado apenas uma vez, mas as sequelas ele vai carregar para sempre. Levou quatro tiros e quase morreu. “Foi o pior pesadelo da minha vida. Acho que daqui pra frente não deve acontecer coisa pior”, declara ao mostrar as cicatrizes no ombro.

Num prédio hoje isolado, já funcionou uma delegacia. Fechou há nove anos. Em outubro do ano passado, os comerciantes pediram a instalação de um posto da PM na área verde em frente à Feira dos Importados. Já faz cinco meses e até agora, nada.

Os ex-sócios de uma padaria também foram vítimas da violência no P Norte. Em um assalto, os dois foram baleados e acabaram desistindo do negócio. A nova proprietária tomou uma atitude assim que comprou o comércio: instalou grades e um portão eletrônico que só é aberto quando o cliente é conhecido.

“Já uma teve situação que eu não abri. Um cliente chegou junto com duas pessoas esquisitas, pessoas que eu não conhecia. Fui obrigada a fechar o portão”, conta a comerciante Maria Neri.

Nessa sexta-feira, no Bom Dia DF, o comandante do batalhão que cuida de Ceilândia disse que o efetivo é de 900 policiais. O suficiente para atender bem a população. “Esse efetivo tem atendido muito bem a cidade. O problema é que a cidade tem crescido bastante. Condomínios têm surgido e a população tem crescido. E onde a população é muito grande, a tendência do crime é aumentar”, declarou o coronel Adauto Amorim, comandante do 8º Batalhão da PM.

Um policial militar que prefere não se identificar trabalha nas ruas de Ceilândia e tem uma versão bem diferente da história: “Se ele tiver 900 policiais, a metade está aquartelada, no expediente do quartel. Não tem esse tanto de efetivo para cobrir a cidade. O setor de chácaras está abandonado, Ceilândia Norte está abandonada. Tudo está abandonado. Não tem esse tanto de viatura e os postos não estão resolvendo nada”, denuncia.

O policial ainda descreve o trabalho de boa parte do efetivo que fica no quartel: “é um mexendo num computador, numa seção; é outro noutra… Cada um numa seção. ‘Seção de faz nada’, ‘seção de tudo’. É um servindo cafezinho… A maioria é tudo desse jeito. Alguns com viatura pra resolver problema particular, entendeu? Tem várias viaturas dentro do quartel que é só pra serviço particular.”

A assessoria de imprensa da Polícia Militar informou que o número de ocorrências no P Norte está dentro do aceitável. Segundo a PM, a comunidade deve procurar o batalhão e registrar ocorrências na delegacia para que o efetivo seja reforçado. Hoje, existem cinco postos da PM em Ceilândia.”

Comento:

Em um mesmo dia o governador José Roberto Arruda promete medidas para mitigar o problema da insegurança pública em Ceilândia enquanto, do outro lado, o coronel  Adauto Amorim, comandante do 8º Batalhão, declara que o efetivo de 900 policiais que serve à cidade é suficiente e o atendimento à população está sendo feito “muito bem”.

Não sei o que é pior para os ceilandenses: viver à mercê dos criminosos ou de autoridades que preferem ignorar a realidade.

Um efetivo de 900 policiais não seria suficiente para atender bem a uma cidade de 600 mil habitantes nem se estivesse inteiro patrulhando as ruas, coisa que qualquer morador de Ceilândia sabe que não está sendo feita.

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