search 2013 adfgs
21/05/2009

Duas para comemorar

Do Correio Braziliense desta quinta-feira (21/05):

Comissão para fiscalizar lotes

O comércio ilegal de lotes que fazem parte do programa habitacional do governo levou a Secretaria de Habitação a criar uma comissão de fiscalização, que começa a trabalhar na próxima segunda-feira. O grupo terá a participação de funcionários de outros órgãos, como a Secretaria de Ordem Pública, a Corregedoria do GDF e as administrações regionais. Conforme o Correio mostrou ontem, já chegam a 37 as denúncias de irregularidades entre os beneficiados pelo programa habitacional. Há casos de pessoas que ganham o imóvel apenas para revendê-lo. Quem for flagrado durante as operações da comissão vai perder o lote.

A comissão vai verificar a situação dos mais de 100 mil lotes entregues nos últimos 10 anos. De 1999 a 2006, o governo distribuiu cerca de 94 mil terrenos em diversas cidades do DF. De 2007 para cá, o crescimento urbano foi bem mais contido: apenas 6 mil pessoas ganharam áreas do GDF e todas estavam previamente inscritas na lista da Companhia de Desenvolvimento Habitacional (Codhab).

Denúncias sobre irregularidades na distribuição de lotes podem ser feitas pelo telefone 156.

Comento:

Já estava mais do que na hora de levantar o pano que encobre os verdadeiros resultados da farra de lotes ocorrida nos últimos dez anos. Se a comissão não se perder em meio às redes de interesses escusos que cercam o assunto ou não for engolida pela burocraria e acabar desvanecendo-se nas brumas do esquecimento, trará à tona a realidade de um crime que quase destrói o futuro do DF.

__________________________________

Engavetada ideia dos viadutos coloridos

A pintura de viadutos do Distrito Federal com diferentes cores está suspensa desde ontem. O plano de colorir os principais elevados foi interrompido após a conclusão de duas das 12 intervenções previstas no projeto Brasília Renovada, do governo local. A decisão de encerrar as pinturas foi tomada após a repercussão negativa da ideia de colorir os viadutos da capital nos mesmos moldes adotados em casas populares. Agora, de acordo com a Secretaria de Habitação, responsável pelo projeto, as pinceladas só serão retomadas se houver ordem do próprio governador José Roberto Arruda.

Comento:

Rápido no gatilho, como sempre, Arruda mata três coelhos com uma só paulada. Primeiro, coloca no devido lugar (a lata do lixo) uma ideia de jerico. Segundo, evita que nós, contribuintes, financiemos a propaganda política disfarçada de um seu possível adversário nas eleições de 2010, já que esses viadutos são a cara do governo Roriz. Pintados de brega furta-cor, certamente seriam usados por ele como peças de campanha. De quebra, dá um calaboca em gente do governo que até ontem afirmava, com outras palavras, estar se lixando para as críticas ao projeto.

Agora é torcer para que um dia sobrem verbas no caixa do GDF e essas aberrações em concreto possam ser demolidas e substituídas por cruzamentos de via decentes.

E já que o assunto é viaduto e (ao contrário do que acontece no resto do mundo) virou moda no DF a maluquice de construí-los para ligar um engarrafamento a outro, vale a pena ler a coluna do jornalista Ruy Castro, coincidentemente publicada na Folha de São Paulo de ontem, 20/05 (acesso só para assinantes):

Abaixo o viaduto

RIO DE JANEIRO – Em Seul, na Coreia do Sul, a derrubada de um viaduto de 6 km ressuscitou o rio Cheonggye e o centro histórico da cidade, que ele matara ao ser construído nos anos 60. Hoje, em vez de carros passando por cima, o novo calçadão à margem do rio recebe 80 mil pessoas por dia. Há shows de música e festivais de lanternas que encantam os coreanos, reduziram a violência e geram dinheiro.
Esses elevados vêm do tempo em que o futuro do ser humano era tornar-se um automóvel. No Rio, em 1960, tivemos o viaduto da Perimetral, ligando a zona portuária à avenida Brasil e acotovelando as lindas casas onde funcionou a administração do Brasil nos séculos 18 e 19. As casas se salvaram, mais ou menos, mas a região foi avacalhada, e o Mercado Público, demolido -só restou uma torre, onde hoje fica o restaurante Albamar. A Perimetral foi a única grande obra que Juscelino, tão generoso para com o resto do país, deixou no Rio. Antes não tivesse deixado nada.
E, em São Paulo, há, naturalmente, o Minhocão. Não conheci a cidade antes dele, mas posso imaginar a vida que fervia na região que ele degradou. Nos últimos anos, sempre que comentei que a Perimetral e o Minhocão precisavam ser demolidos, as pessoas davam um salto: “Mas e o trânsito??? Vai ficar ainda pior do que está!”.
Será? O elevado de Seul tinha o dobro de extensão do Minhocão paulistano. Levou seis meses para ir ao chão, tempo em que os cidadãos aprenderam a usar menos o carro, criaram-se corredores de ônibus e inverteram-se mãos de ruas. Hoje, menos carros circulam por Seul e ninguém sente falta.
Sonho com o dia em que verei a Perimetral de joelhos, aos cacos, achatada, para glória maior do Rio e dos ricos e pobres, brancos e negros, que protagonizaram naquelas ruas a história do Brasil.

____________________________

Veja nas fotos a seguir como era e como ficou o centro histórico de Seul após a demolição do viaduto de que nos fala Ruy Castro:

Antes era assim…

… e assim.

Agora é assim…

… e assim.

Comentários

Comente