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13/06/2009

Ensinando o beabá

A revista Veja desta semana traz uma entrevista com Rudolph Giuliani, ex-prefeito de Nova York. Adotando medidas para lá de óbvias e colocando a polícia para trabalhar, ele conseguiu devolver aquela metrópole à civilização. Confira alguns trechos:

É preciso combater o crime do tostão e do milhão

Prefeito de Nova York por dois mandatos, de 1994 a 2002, Rudolph W. Giuliani tornou-se uma referência quando o assunto é recuperação urbana. Com mão firme, ele reduziu pela metade as taxas de criminalidade e transformou a cidade em uma das mais seguras dos Estados Unidos. Em 2000, apesar de ter a eleição praticamente certa, Giuliani deixou de concorrer ao Senado porque sua vida estava uma bagunça: tinha se separado da mulher e descoberto o câncer de próstata, a mesma doença que matou seu pai. No ano seguinte, sua determinação de fazer Nova York voltar à normalidade depois dos ataques terroristas o transformou num dos políticos mais populares do país. A tentativa desse neto de imigrantes italianos de ser o candidato republicano à Presidência nas últimas eleições naufragou nas primeiras primárias. Giuliani falou a VEJA em São Paulo, onde esteve para participar do II Fórum de Riscos, patrocinado pelo Bradesco.

Veja – Sua política de tolerância zero reduziu drasticamente a criminalidade em Nova York. É possível usar os mesmos métodos de combate ao crime nas cidades brasileiras?
Há muito em comum entre Nova York e São Paulo. São cidades de grandes dimensões, cercadas por bolsões de pobreza, com um histórico de violência bem similar. Assim como em Nova York, em São Paulo coexistem as duas maiores pilastras da criminalidade: grandes grupos organizados de tráfico de drogas e autoridades corrompidas. Em metrópoles dessa amplitude e com esse perfil, a primeira coisa a ser feita é a medição diária do crime por região. É preciso fazer isso com acuidade, exatidão e constância, todos os dias, em todas as regiões da cidade. A medida é simples, mas tem um impacto surpreendente na qualidade e na eficácia da ação policial. O crime aumenta e diminui com muito mais frequência do que se imagina. Isso pode acontecer porque há mais ou menos viaturas em uma área ou porque o método de ação de uma equipe é mais ou menos adequado. Com essa medição, o policial percebe como o crime muda e entende o motivo dessa variabilidade, o que permite uma reação imediata e eficaz. Depois de entender a dinâmica do crime, é preciso pensar com mais humildade e olhar para os detalhes da violência na cidade. Em Nova York, havia tanto roubo, assassinato e narcotráfico que nenhum policial queria perder tempo com “crimes pequenos”, como as pichações, os pontos de prostituição, a destruição de propriedades, ou com os lavadores de para-brisas que limpam o seu carro mesmo contra a sua vontade. Aí residia o nosso maior erro.

Veja – Por que é tão importante combater os pequenos crimes, como a pichação?
Parto do seguinte princípio: quem não presta atenção nos detalhes não atinge sua meta. Em Nova York, ninguém queria prender o ladrão de rua, só o assaltante que levou 1 milhão de dólares de um banco ou o chefe do tráfico. O problema é que tanto o ladrãozinho quanto o adolescente que picha muros estão diretamente relacionados ao chefão do tráfico. Um leva ao outro. Um só existe por causa do outro. Antes de mais nada, cidades degradadas pela violência precisam resgatar a moral, o respeito. O que é seu é seu, e eu não posso pichar. Ponto. Também não posso roubar, nem quebrar, nem vender drogas, nem morar na rua. Sem valores morais, toda a sociedade acaba no círculo do crime, de uma forma ou de outra. Se o respeito volta, o crime adoece. Assim é mais fácil combatê-lo. Foi dessa maneira que Nova York deixou de ser a cidade mais violenta dos Estados Unidos para, em alguns anos, tornar-se a mais segura

Veja – O senhor criou polêmica ao dizer que os moradores de rua não têm o direito de ficar na rua. Isso não vai contra o direito de ir e vir?
Uma cidade precisa ser organizada e limpa. O oposto promove o crime. Em Nova York há inúmeros abrigos. Se lá uma pessoa vive na rua, há algo de errado com ela: ou é alcoólatra, ou drogada, ou tem problemas mentais. Nas ruas, pessoas frágeis tornam-se mais isoladas, amedrontadas e suscetíveis. Um cidadão pode fazer o que quiser, desde que não machuque nem agrida outro cidadão. Viver na rua não só machuca a própria pessoa como agride a toda a sociedade. Não é certo. Cabe aos governos resgatá-la, tratá-la e abrigá-la.

A íntegra da entrevista está disponível aqui (somente para assinantes)

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