search 2013 adfgs
16/06/2009

A morte é sempre absoluta

Do DFTV desta terça-feira (16/06):

Cidades que crescem rápido têm mais violência

Ceilândia é a maior cidade do Distrito Federal e, por isso, em números absolutos, tem mais casos de crimes. Mas, quando se compara as mortes violentas com cada grupo de dez mil moradores, uma nova descoberta.

As cidades que cresceram desordenadamente na última década estão no topo da estatística da violência: o primeiro lugar, que não é motivo de orgulho, é da Estrutural, que teve 7,7 mortes violentas ano passado para cada grupo de dez mil habitantes. Em segundo lugar, o Varjão, com 6,5 homicídios. E em terceiro no ranking da violência aparece o Itapõa: 5,4 mortes violentas por dez mil habitantes. Nesse ranking, Ceilândia aparece em décimo lugar. Com 3,6 mortes pra cada dez mil habitantes.

Comento

A mudança no posicionamento de Ceilândia nesse ranking, quando se leva em consideração os números proporcionais, em vez dos absolutos, poderia até ser motivo de comemoração. Mas não é. Tanto para quem morre, quanto para quem perde um ente querido, a morte nunca é relativa. É sempre uma perda absoluta, e de altíssimo custo.

Em cidades de países onde a vida humana ainda vale alguma coisa, um único caso de crime contra a vida já é considerado algo escandaloso. Algumas vezes, é até motivo suficiente para que a população saia às ruas e coloque as autoridades contra a parede, exigindo algo mais que justificativas. Enquanto isso, nós, brasileiros, nos contentamos em relativizar o que não pode ser relativizado.

Na verdade, o dado mais importante dessa reportagem é a constatação de que o número de mortes violentas e de outros crimes tem relação com o crescimento desordenado das cidades.

É a esse ponto que devemos todos prestar mais atenção. Especialmente aquelas pessoas que, por falta de discernimento, acreditam ser uma boa idéia tentar resolver o problema do déficit de moradias por meio da criação de favelas. Os números, sejam relativos ou absolutos, demonstram claramente que não.

Não basta dar às pessoas um lugar para morar. É necessário oferecer a elas um lugar para viver.

Comentários

Comente