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10/09/2009

Discussão bizantina

Brigam Taguatinga e Vicente Pires, não pelos direitos do mar, como no poema de Leila Diniz, que mar aqui não há. A pendenga é pelos direitos sobre a Colônia Agrícola Cana do Reino, reinvindicada por ambas as Regiões Administrativas com propósitos expansionistas.

Taguatinga, para quem não se lembra, é aquela cidade já consolidada e de bom tamanho que tem alguns dos problemas mais pavorosos (porém fáceis de se resolver) que uma cidade possa ter.

Sua área central está tomada por lojas de autopeças que na verdade funcionam como oficinas mecânicas; carros de som e lojas infernizam a vida de quem passa por lá com propagandas tocadas no último volume. Á noite, quando as lojas fecham, a iluminação deficiente deixa o lugar com um aspecto tenebroso (iluminação boa mesmo só existe no viaduto que sai para a EPTG, onde só circulam carros); as calçadas, além de desniveladas e em péssimo estado de conservação, estão sempre sujas; o piso de algumas áreas da Praça do Relógio afundou logo depois de sua inauguração e continua lá do mesmo jeito, como se fosse a coisa mais natural do mundo uma praça com piso ondulado, bem no centro da cidade; prostituição e tráfico de drogas acontecem por ali em plena luz do dia; as cercanias da 12ª DP viraram uma cracolândia; na rua ao lado de uma das maiores escolas da cidade, travestis e prostitutas caçam clientes a qualquer hora do dia ou da noite; nos prédios cujas fachadas não estão ocupadas por placas de tamanho desproporcional, vê-se que a pintura não é renovada há muitos anos.

Passando à Avenida Comercial: nos planos do GDF, um dia ela terá tráfego em um único sentido e um corredor exclusivo para ônibus. Seria hora de aproveitar para ter pena dos pedestres, alargando e uniformizando as calçadas. Uns canteiros com plantas também não ficariam mal por ali. Com boa iluminação e policiamento adequado, aquela avenida deixaria de ser uma zona morta depois que a noite cai. Mas parece que pretendem fazer o contrário – diminuir as calçadas e abrir mais vagas de estacionamento. De arborização, iluminação e policiamento, nem se fala.

Já Vicente Pires dispensa comentários. Por enquanto é apenas um favelão metido a besta.

Mesmo diante dessa realidade, as lideranças empresariais e políticas (no DF isso dá quase no mesmo) acham que faz algum sentido preocupar-se com a expansão das duas cidades, em vez de trabalhar para melhorar o que já existe e está muito mal.

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