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24/03/2010

Luz! Mais luz!

Do Correio Braziliense:

Vida nova ao cartão-postal

Inauguração dos chafarizes da Praça do Relógio traz ao local um clima diferente do observado nos últimos tempos, quando a região esteve assolada pelo tráfico de drogas e pela prostituição

No lugar de cimento, duas fontes luminosas com músicas embalam as pessoas que passam pela Praça do Relógio, em Taguatinga. Em vez de traficantes e prostitutas, famílias e casais de namorados aproveitam o espaço antes tomado pela criminalidade. O cartão-postal da cidade está de cara nova. Ganhou dois monumentos que o deixaram ainda mais valorizado. “Devolvemos a praça aos moradores e a colocamos mais atraente para os turistas”, assegurou o administrador de Taguatinga, Gilvando Galdino. A construção das fontes é o primeiro projeto de uma série de melhorias que a praça vai receber. A instalação de um posto policial e o reforço na iluminação devem ser implantados em breve para receber a feira de artesanato, que funcionará aos sábados.

Ao passar de carro com os pais pela praça, o pequeno Gabriel Willians de Jesus, 2 anos, se surpreende: “Olha lá, papai”, aponta, sem saber nomear o que vira. Há poucos dias, o menino e o pai, Edil Willians de Jesus, 29, haviam transitado pelo local onde existiam apenas tapumes de construções. Eles nem imaginavam o que poderia estar por atrás daquilo tudo. A surpresa veio pouco tempo depois. Os 13 jatos em cada fonte jorrando água em sintonia com a música e com as luzes coloridas não passaram despercebidos. “Meu filho ficou tão admirado com a fonte que não pude deixar de parar. Estacionei o carro e vim para que ele pudesse ver de perto”, contou o vigilante, que apreciou a ideia de valorizar o ponto turístico de Brasília.

No intuito de congelar na memória o momento pós-inauguração, a moradora de Taguatinga Norte Lorena Alves de Oliveira, 19 anos, pediu que o namorado Kelvin Araújo, 18, a fotografasse em frente às fontes. Na imagem, o relógio que deu nome à praça ganhou duas companhias. “A praça ficou mais agradável. Melhorou o ambiente e ficou com mais cara de praça. Acho que vai ficar mais atrativo para os turistas”, observou a estudante. Kelvin endossa a opinião: “A fonte luminosa trouxe um pouco do Plano Piloto para Taguatinga”, disse, comparando a praça aos monumentos da capital federal.

A valorização do ponto turístico de Taguatinga nem foi concluída e a vendedora de picolé Maria Alves Juvenal, 57 anos, já vê os lucros com o comércio ambulante crescerem. Na tarde quente do último domingo, a moradora da região norte da cidade vendeu mais que nas semanas anteriores. “A praça ficou mais família. Eu passei aqui por acaso. Minha intenção era seguir para vender sorvetes pelo caminho. Mas os poucos minutos em que parei na praça me renderam boas vendas. Vou ficar quieta por aqui para continuar vendendo”, comentou.

A modernização da Praça do Relógio custou aos cofres públicos R$ 700 mil. Planejada pela Secretaria de Obras da Administração Regional de Taguatinga, a reforma começou em janeiro e foi inaugurada oficialmente na semana passada. Fogos de artifício marcaram o início do funcionamento que contou com a presença do administrador. “A Praça do Relógio estava abandonada e tomada por prostitutas e traficantes. Agora, estamos devolvendo a praça aos habitantes”, pontuou Gilvando Galdino.

Nos próximos meses, ainda sem data definida, os moradores devem ganhar também com a implantação de um posto policial e o reforço na iluminação pública, que deve deixar o espaço mais seguro. Após as melhorias, segundo o administrador, haverá um projeto para feirantes de artesanatos que vão expor e vender materiais com símbolos de Taguatinga.

Comento:

Um amigo meu (estrangeiro, mas que já morou na cidade) costuma me provocar dizendo que Taguatinga é a maior estação rodoviária que ele já conheceu. Como não dá para discordar, só posso ficar contente ao ver que algumas coisas estejam mudando por lá.

Que a ideia seja replicada em outros espaços públicos (será que o administrador de Taguá já deu uma volta na Praça do DI à noite? Ali as únicas fontes de luz são os bares e restaurantes ao redor. A praça, em si, vive mergulhada na mais completa escuridão).

Na verdade, em uma região de clima seco como o Centro Oeste, deveria ser obrigatória a construção de um chafariz em cada quadra de cada cidade do DF. É uma questão até de saúde pública.

No caso específico da fonte musical da Praça do Relógio, além do preço meio salgado e da ação político-familiar envolvendo as obras, só me preocupa que, em vez de música instrumental de qualidade (nem precisa ser clássica), algum aloprado ponha a tocar ali gêneros estressantes e inadequados como axé, funk, forró ou breganejo.

No mais, parabéns à Administração Regional de Taguatinga. São obras pequenas e bem localizadas como essa que podem humanizar os horrendos aglomerados urbanos do DF e transformá-los em cidades de verdade.

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