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11/06/2010

Ciclovias em Ceilândia: será que agora vai?

Do Correio Braziliense:

Por onde andam as ciclovias do DF?

Malha cicloviária, planejada para ter 600km, deve fechar 2010 com apenas 128km. Há pontos perigosos e outros onde a manutenção é deficiente. Ceilândia receberá pista para bicicletas

Noelle Oliveira

Ceilândia vai ganhar sua primeira ciclovia. A nova área destinada aos ciclistas do Distrito Federal — com 20 quilômetros de extensão — custará aos cofres públicos R$ 3,8 milhões e ligará os moradores ao metrô. A construção foi autorizada ontem e deve começar nos próximos dez dias. A obra já foi licitada e falta apenas a assinatura do contrato, o que ocorrerá na próxima semana. Atualmente, no DF, o espaço destinado àqueles que escolhem se locomover utilizando bicicletas é restrito: apenas em 6% das vias existem áreas específicas para ciclistas, um total de 42 do 723 quilômetros de pistas locais.

Em alguns pontos, a manutenção das pistas é falha; em outros, as áreas são perigosas e parecem improvisadas. A malha cicloviária do DF foi planejada para ser a maior da América Latina, com 600 km de extensão. A meta — apresentada pelo projeto Pedala-DF em 2007 — foi reduzida. Hoje, o governo promete entregar, até setembro, 128km de ciclovias cujas obras estão em andamento. Também está prevista a sinalização das ciclofaixas dos lagos Sul e Norte. Ainda não há previsão para entrega das obras em Ceilândia. O intuito é criar na capital federal a maior malha cicloviária do Brasil.

Apesar da expansão, as novas vias não devem ser suficientes para suprir as necessidades dos 400 mil ciclistas brasilienses. De acordo com dados levantados pela organização não governamental (Ong) Rodas da Paz, cerca de 35 mil bicicletas são vendidas por mês no DF. Dessas, aproximadamente 30% — 10,5 mil — são utilizadas por adultos para lazer, prática de esportes ou como meio de transporte. “Com a crise mundial em 2008, houve um corte nos recursos de todos os projetos do GDF e tivemos que reduzir o que estava previsto. Nosso perfil são ciclovias de trabalho, diferente do que ocorre no Rio de Janeiro, por exemplo, onde essas vias são mais para lazer”, considera Leonardo Firme, gerente do Pedala-DF. Para o presidente do Rodas da Paz, Ronaldo Alves, o ganho conquistado pelos ciclistas com as novas inaugurações é grande, mas ainda está longe do desejado. “Estamos começando de fora, que é a população de renda mais baixa e precisa ainda mais desse transporte. Depois queremos chegar ao Plano Piloto. Ainda temos muito o que construir”, avalia.

Manutenção

O Correio percorreu as ciclovias do DF para ver o estado de conservação das pistas. A pior situação foi encontrada em Itapoã, com trechos de asfalto quebrados, sinalização destruída e terra tomando conta de partes da via. No Varjão, alguns pontos do asfalto da ciclovia também estão danificados, mas a situação geral da pista é boa. “Quanto mais elaborado o projeto da ciclovia, de menos manutenção ela vai precisar. As que foram construídas sem um bom projeto de estrutura estão nessa situação”, considera Ronaldo Alves.

A ciclovia de São Sebastião, que liga a cidade aos condomínios do Jardim Botânico, é a mais bem estruturada do DF. Planejada, ela apresenta uma camada de asfalto mais grossa que as demais, o que facilita a conservação. São 12 quilômetros utilizados por moradores que circulam, principalmente, entre a cidade e o Lago Sul. “Depois que construíram, em 2008, eu passei a me sentir mais seguro. Antes já vinha de bicicleta porque não tenho carro, mas eu tinha medo”, afirmou o serralheiro Cláudio Santos, 31 anos, morador de São Sebastião, que trabalha em uma casa próxima ao Jardim Botânico. Em Samambaia, a conservação da via também é boa.

Em muitos pontos do DF, no entanto, os ciclistas ainda transitam com perigo. Mesmo com uma área específica destinada a eles. É o caso da barragem do Paranoá, sentido Lago Sul, onde existe uma ciclofaixa que coloca os adeptos das bicicletas em constante risco. “Passo aqui porque tenho que passar, não é uma opção”, afirma o autônomo Leonardo Dias Filho, 24 anos, que trafega pelo menos uma vez por semana no lugar, bastante estreito. Outro local perigoso, dessa vez pela falta de pista reservada aos ciclistas, é o Pistão Norte e Sul em Taguatinga, bem como a ligação entre o Itapoã e o Varjão. De acordo com dados do Detran-DF, 12% dos acidentes de trânsito do último ano envolveram ciclistas. Apenas em 2009, 42 morreram em acidentes no DF.

Comento:
A notícia é boa. Agora é torcer para que façam uma obra decente. A ciclovia de Samambaia, por exemplo, tem trechos que parecem ter sido construídos por operários bêbados. Além de um ziguezague desnecessário e inexplicável, sua pavimentação é de péssima qualidade. A sinalização é quase inexistente.

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