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16/06/2010

Carrões que a gente não vê por aqui

Esta semana agentes da Polícia Federal vasculharam a casa da promotora Deborah Guerner, no Lago Sul, e encontraram um cofre enterrado no jardim. Dentro dele, muito dinheiro.

Em depoimento à Polícia Federal, Durval Barbosa, o delator do escândalo da Caixa de Pandora, denunciou que a promotora Guerner e o procurador-geral de Justiça, Leonardo Bandarra, recebiam propina para beneficiar empresas de coleta de lixo.

Para quem, diariamente, circula pelas encardidas vias públicas de nossas cidades, não chega a ser novidade que existe alguma coisa muito errada com o Serviço de Limpeza Urbana do DF.

Enquanto outras cidades do mundo (e até mesmo algumas do nosso incorrigível Brasil) modernizaram esse serviço, no DF passamos pelo constrangimento de assistir (muito de vez em quando, diga-se) a pelotões de garis sob o sol escaldante tentando limpar as vias públicas munidos apenas de prosaicas vassouras. Nos últimos trinta anos não houve qualquer esforço no sentido de se  modernizar o serviço de limpeza pública.

Se o assunto fosse tratado como questão de saúde pública, hoje veríamos em nossas ruas equipamentos como estes:

Máquina dotada de escovas, aspirador, potente jato de água e braço articulado, que permite limpar até o espaço sob carros parados nas ruas ou estacionamentos públicos. Também dispõe de vaporizador/aspirador de alta pressão que derrete chicletes e manchas de óleo e os aspira em seguida. Um único operador limpa em minutos uma rua que dez garis levariam horas para higienizar.

Aqui, limpadora compacta, apropriada para limpeza de ruas estreitas, praças e calçadas. Também dispõe de aspirador e jato de água.

Um outro modelo de máquina de varrição, equipada para aspirar (ou soprar para fora da pista) gravetos e folhas mortas.

A eliminação de chicletes, manchas de óleo e até o recolhimento de fezes de animais também pode ser feito em motos equipadas com vaporizador/aspirador e jato de água com desinfetante.

Antes que algum cabeça-de-bagre venha com a lengalenga habitual de que a mecanização da limpeza pública provocaria desemprego, o aviso:  nenhum gari ficaria sem o ganha-pão. Eles apenas ficariam mais produtivos. Humanos serão sempre necessários. Não apenas para manejar os equipamentos, mas também para atuar em lugares inalcançáveis pelas máquinas.

Ah, mas estes equipamentos são muito caros. São coisa para cidades ricas do Primeiro Mundo. Não são. São coisa de cidades decentes, onde administradores sérios não colocam os serviços públicos nas mãos de mafiosos.

O mais caro desses  equipamentos custa 150 mil dólares. Só com o R$ 1,6 milhão que Durval Barbosa afirma haver sido usado para subornar Deborah Guerner e Leonardo Bandarra daria para comprar muitas máquinas iguais a essas.

A ineficiência de nossos serviços públicos não decorre da falta de verbas. Mas de uma combinação de incompetência, desinformação, desleixo e descaso.

E corrupção. Muita corrupção.

Comentários

1 Comentário para “Carrões que a gente não vê por aqui”

    IVAN
    21/06/2010 @ 14:33

    Infelizmente essa é a realidade que nós, brasilienses e ceilandenses vivemos diariamente. É hora de mudança companheiros. Estamos fartos de corrupção e por isso estamos lutando desde 2002 para conscientizar nossa população de ceilandia sobre a importancia de termos representantes da nossa cidade! Acessem http://www.mdcei.org e conheçam a nossa luta. Abraço a todos.

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