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29/08/2010

Consequências do crescimento desordenado

Dizem que Durval Barbosa, cinegrafista que dispensa apresentações e filósofo nas horas vagas, teria certa vez afirmado que “no DF os governantes não são eleitos por quem lê jornais, mas por quem limpa o traseiro com eles”.

Se a afirmação vale para a imprensa tradicional, é muito mais verdadeira com relação à internet, cujo acesso ainda é consideravelmente restrito no Brasil, em comparação com outros países.

Mas não é por isso que deixaremos de malhar em ferro frio. É preciso ter sempre em mente que as pessoas merecem ter ONDE VIVER e não apenas ONDE MORAR.

Por isto, neste momento em que candidatos pouco sérios circulam por aí oferecendo lotes em troca de votos, vale a pena ler a matéria a seguir, extraída da edição mais recente da  Revista Geografia:

Crescimento desordenado

O crescimento não planejado dos centros urbanos causa problemas como favelas, ocupação de morros e encostas e violência e degradação ambiental.

Jackson A. de Souza, Marcelo Alberto da Cunha, Maria Teresa Gonçalves Sandra Aparecida Constantino,

As chuvas que assolaram o Brasil inteiro nos meses de janeiro e fevereiro de 2010 e deixaram famílias desabrigadas e bairros inteiros alagados chamam atenção para uma área que diz muito para a Geografia: o Planejamento Urbano. A Geografia Urbana, área que se insere no eixo de conhecimento da Organização do Espaço Geográfico eixo de conhecimento da e Planejamento Territorial, vem se dedicando cada vez mais a entender e estudar o crescimento desordenado dos ambientes urbanos. Mas, diante de um leque de fatores que levam aos dilemas urbanos, precisa-se entender primeiro o que é urbano, segundo definição do estudioso Manuel Castells:

“Urbano designaria então uma forma especial de ocupação do espaço por uma população, a saber, o aglomerado resultante de uma forte concentração e de uma densidade relativamente alta, tendo como correlato previsível, uma diferenciação funcional e social maior”.

A noção de urbano, portanto, pertence à diferenciação de espaço local (cidade), ligado à urbanização e à problemática do desenvolvimento. O processo de urbanização nos países subdesenvolvidos ocorreu, de modo geral, a partir das décadas de 1930 e 1940, com considerável atraso em comparação aos países desenvolvidos, que começaram a se urbanizar a partir da Revolução Industrial a se urbanizar a partir da (séculos XVIII e XIX).

A intensidade desse processo de urbanização nos países subdesenvolvidos impossibilitou o planejamento e a estruturação do espaço geográfico para receber mudanças tão grandes, que necessitam de infraestrutura adequada. O Brasil é um dos exemplos dessa intensidade: em 1950, o País tinha 36% da população vivendo em áreas urbanas; em 2000, o índice já somava um total de 81%. Outra característica da urbanização problemática é que o aumento da população urbana é muito maior do que sua capacidade de gerar empregos.

Como resultado desse desnível entre urbanização e oferta de novos empregos urbanos, são comuns nas grandes cidades do sul as paisagens que mostram lado a lado o moderno e o tradicional, o excessivamente luxuoso e o paupérrimo: bairros ricos ao lado de imensas favelas, modernos edifícios de escritórios ao lado de prédios deteriorados e cheios de cortiços, o empresário em seu carro com motorista particular passando numa avenida onde mendigos pedem esmolas e crianças ou subempregados vendem bugigangas”. (José William Vesentini, “A capital da geopolítica”).

Neste contexto, a rápida urbanização, associada à inexistência de planejamentos e crises econômicas, provoca total desorganização no uso do solo, o que dá origem a bairros sem nenhuma infraestrutura pelo preço da destruição de áreas verdes e rios, além de provocar a saturação dos serviços públicos. As características marcantes da ocupação desordenada são as favelas, a ocupação em morros e encostas, a ocupação nas planícies fluviais (margens de córregos e rios) e periféricas. Já os processos de violência e degradação ambiental, indicadores importantes de má qualidade de vida urbana, são gerados principalmente a partir de assentamentos irregulares, como loteamentos clandestinos e ocupação de áreas de risco.

Diferentes abordagens

A crise do modelo de desenvolvimento brasileiro, perverso e excludente, é marcada, especialmente, pela extrema concentração de renda. As consequências destas agravantes são observadas por alguns problemas caóticos, entre eles: violência urbana – gastos infinitos com a segurança pública; caos no trânsito; vias saturadas e mal planejadas; transportes urbanos ineficientes e insuficientes; gastos enormes de dinheiro para atenuação dos problemas com as áreas de educação, saúde e habitação; poluição hídrica – córregos, rios; moradias desconfortáveis em morros, planícies fluviais (margens de córregos e rios); aglomerados urbanos sem infraestrutura; discriminação e preconceitos; poluição atmosférica estrutura; discriminação e preconceitos; e poluição visual.

Diante do problema, determinadas medidas podem ser tomadas para mitigar o problema: atuação do Estado, colocando fim nas favelas, transferindo seus moradores para bairros completamente planejados com vias largas; praças esportivas, parques, hospitais, escolas, comércio, rede de tratamento do esgoto, construções de casas e não apartamentos (casas sustentáveis, com energia solar, aproveitamento das águas pluviais, espaço externo, etc.), transporte público eficiente – metrô suspenso; políticas para fazer com que as pessoas tenham boa qualidade de vida no campo e que não precisam ir para cidades.

Uma possível solução

A correção de erros cometidos no passado pelo não planejamento é uma tarefa onerosa e de longo prazo, mas deve ser o primeiro objetivo do Estado, independentemente da corrente política que esteja no poder. Para isso, é necessário que haja integração entre as dimensões econômicas e sociais na criação de novas estratégias, visando a um melhor planejamento das cidades. Dentro dessas considerações, as condições geoclimáticas, as áreas de lazer, ou seja, a busca pela melhor qualidade de vida de todos os cidadãos não podem ser desprezados.

Profissionais como os geógrafos não conseguem resolver os problemas das cidades, mas eles podem identificar as relações básicas, monitorar os processos em evolução, identificar as opções de planejamento e avaliar os prováveis resultados. Com isso contribuirão substancialmente e construtivamente para o debate urbano.

Comentários

1 Comentário para “Consequências do crescimento desordenado”

    Palloma
    11/11/2017 @ 12:58

    O resumo do crescimento urbano desordenado

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