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17/10/2010

Candidatura bizarra

Editorial da Folha de São Paulo deste domingo (17/10):

Caricatura eleitoral

Engana-se quem julgar que a eleição do palhaço Tiririca, com mais de um milhão de votos, representa o caso mais bizarro de popularidade na política brasileira. A presença da candidata Weslian Roriz (PSC) na disputa pelo governo do Distrito Federal constitui, provavelmente, um fenômeno ainda mais insólito – e, a seu modo, mais complexo.

Weslian Roriz foi chamada a substituir o seu marido, Joaquim Roriz, cuja candidatura foi barrada pela Lei da Ficha Limpa. Suas recentes declarações, feitas a uma emissora de TV na quinta-feira, seriam apenas cômicas, não fossem deprimentes, por parte de quem conta com cerca de um terço das preferências do eleitorado.

Perguntada sobre seus planos na área de educação e transporte, Weslian Roriz disse “não ter informação” a esse respeito. “Não foi eu quem fez meu plano de governo”, explicou; “já estava pronto, eu vou aproveitar”. Reúnem-se aqui problemas sem dúvida mais intrigantes do que os sintetizados no fenômeno Tiririca.

O caso Weslian alia sintomas comparáveis de despreparo pessoal a circunstâncias de outra natureza. Houve o descompasso entre o calendário eleitoral e os procedimentos da Justiça, deixando indefinidos, até às vésperas do pleito, os critérios para a aplicação da Lei da Ficha Limpa.

Configurou-se assim a ironia de uma situação em que o propósito da lei, que era o de tornar mais qualificadas as candidaturas a um cargo eletivo, viu-se traído por uma realidade incomparavelmente mais tosca.

Persiste, ademais, a identificação de parcelas do eleitorado com lideranças políticas de estilo personalista, como é a de Joaquim Roriz; o voto se transfere à cônjuge, sejam quais forem as suas qualificações para o cargo.

Não será o único exemplo de candidaturas artificiais, inventadas pelo populista de plantão; mas Weslian Roriz, há de se convir, leva tal prática a seu extremo de caricatura.

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