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23/10/2010

Outra vez no picadeiro

Da revista IstoÉ:

Comédia Brasiliense

Conhecida como a “candidata-laranja”, Weslian Roriz derrapa na própria inexperiência e divide com Tiririca o título de concorrente mais exótico destas eleições

Hugo Marques

Desde que foi lançada candidata ao governo do Distrito Federal em setembro, depois que seu marido, Joaquim Roriz, teve a candidatura barrada pela lei dos fichas sujas, Weslian Roriz (PSC) não parou de fazer trapalhadas. Neófita na política, dona Weslian, como é conhecida em Brasília, tem mostrado total despreparo para lidar com temas ligados à gestão pública. Com seu desempenho pífio, confirma a tese de que está servindo de mulher-laranja do ex-governador Roriz. No único debate de que participou, o promovido pela Rede Globo no dia 29 de setembro, ao ser questionada sobre sua postura perante eventuais desvios éticos, cunhou uma frase que se tornou hit no YouTube. “Quero defender toda aquela corrupção”, disse Weslian. Logo depois, tentou se corrigir. Mas não conseguiu evitar o constrangimento de todos que participavam do programa.

A frase infeliz foi apenas o primeiro de uma série de deslizes cometidos por Weslian durante a campanha ao governo do DF. Na quinta-feira 14, a mulher de Roriz voltou a chocar a opinião pública ao admitir que não conhece o plano do PSC para a gestão da cidade. “Eu não participei do plano de governo porque minha decisão foi imediata para ser candidata”, justificou Weslian. “Então eu não tenho informação porque não fui eu que fiz meu plano de governo. Como já estava pronto, eu vou aproveitar”, explicou. Pelo menos, ela foi sincera. Mas suas propostas, apresentadas desde que lançou sua candidatura, são tão esdrúxulas e questionáveis, do ponto de vista jurídico, que podem até virar alvo da Justiça Eleitoral, na hipótese remota de ela vencer a eleição.

Weslian promete, por exemplo, o perdão de todas as multas de trânsito emitidas no DF, em troca dos votos a seu favor. “Assim que assumir o governo, dona Weslian vai anistiar todas as multas. Quem tem multa até 30 de setembro não vai mais precisar pagar”, anuncia o locutor no horário eleitoral de Weslian. “E pode anotar aí: assim que tomar posse, em 1º de janeiro, dona Weslian vai revisar o sistema de cobrança de multas no Distrito Federal. As coisas vão mudar de verdade.” Em Brasília, a proposta é conhecida como “bolsa-pardal”, em referência às câmeras eletrônicas. O PT já apresentou uma denúncia na Justiça Eleitoral, mas a decisão só deve sair após as eleições. “É uma troca de votos por oferta ilegal, uma oferta de vantagens sem cabimento, sem nenhum motivo além de trocar votos por algo que não pode ser dado”, protesta o advogado do PT Luís Carlos Alcoforado. Na terça-feira 19, na comunidade do Varjão, localizada a 30 quilômetros do centro de Brasília, Weslian preferiu não responder às perguntas sobre o perdão das multas.

Com o cabelo tingido de dourado e tailleurs com botões dos anos 60, Weslian já disputa com o deputado-palhaço Tiririca o título de personalidade com maior audiência na internet, apesar de não fazer tanto sucesso com os eleitores quanto o palhaço. Embora pelas ruas de Brasília não se encontre nenhuma fotografia de Weslian, os vídeos com escorregadas da mulher de Roriz já foram vistos por mais de dois milhões de brasileiros. Depois dos escorregões, ela conseguiu atrair a curiosidade de especialistas em política. “A Weslian é simplesmente uma tentativa do Joaquim Roriz de se manter titular do governo usando a mulher como testa-de-ferro”, diz o doutor em ciência política Fábio Wanderley Reis. Ele lembra que o eleitor que for às urnas no domingo 31 também não verá a foto da candidata, pois o Tribunal Superior Eleitoral decidiu manter na tela das urnas a foto do ex-governador Joaquim Roriz. “Tudo isso é lamentável. Ainda bem que ela está perdendo a eleição”, disse o cientista político.

Acossada pela ostensiva falta de preparo, Weslian, que tem apenas o ensino médio e que, antes da eleição, distribuía cueiros e mijões para grávidas na periferia de Brasília com dinheiro de uma ONG, tem evitado contato com o público. Com 20 pontos atrás do concorrente, o ex-ministro Agnelo Queiroz (PT), a mulher de Roriz já cancelou a presença em dois debates nas emissoras locais, recusa-se a fazer discursos durante carreatas e evita câmeras de tevê e grandes concentrações populares. Para tentar minimizar os efeitos de sua inexperiência, Weslian está fazendo media training a uma semana do pleito, ou seja, prepara-se com profissionais para futuras entrevistas. Para piorar a situação, ninguém se entende dentro da campanha do PSC. À falta de culpados, os rorizistas jogam a responsabilidade para o marqueteiro da campanha, Dimas Thomas, que, no primeiro turno, fez a campanha do PSOL no DF e no passado trabalhou para o PT. Acham que Thomas está sabotando dona Weslian.

No primeiro turno, Weslian conseguiu 31,5% dos votos contra 48,4% de Agnelo. Agora, as sondagens mostram que Agnelo poderá bater Weslian por 53% a 35%, ou 60% a 40% dos votos válidos. Como as pesquisas não ajudam, o desespero bateu na campanha da mulher de Roriz. A crise chegou a tal ponto que a campanha pediu socorro ao atual governador do DF, Rogério Rosso (PMDB), que substituiu José Roberto Arruda, na esteira do escândalo do mensalão do DEM. Comenta-se que, sem ver luz no fim do túnel, Rosso fez uma proposta drástica: substituir Weslian na boca da urna. Para os adeptos de Roriz, tudo não passou de invenção da mídia. “Há um movimento orquestrado pela grande imprensa para desgastar dona Weslian”, alegou o coordenador de comunicação da campanha, Paulo Fona. Mas, a julgar pelos erros cometidos por Weslian, parece que a mulher de Roriz atira no próprio pé.

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