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14/11/2010

GDF: sem desinfecção não há solução

Do blog do jornalista João Bosco Rabello:

Réu sob delação premiada, Durval Barbosa mantém influência no governo do DF 

O longo ciclo de poder de Joaquim Roriz no Distrito Federal, interrompido pela gestão de seu ex-aliado, José Roberto Arruda, chega ao fim com a eleição do petista Agnelo Queiroz que tomará posse em 1º de janeiro.

Roriz não tem mais a idade e a votação de outrora, perdeu a energia indispensável para a batalha eleitoral e deposita as expectativas de influência política na sua prole, parte dela com mandato parlamentar.

Mas o governo-tampão de Rogério Rosso, que cumpriu fielmente os interesses em jogo na gestão Arruda, exibe um aspecto que, para além de intrigante, compromete seriamente o Ministério Público e o Poder Judiciário, fiadores da delação premiada do delegado Durval Barbosa.

A desenvoltura com que o personagem responsável pela queda e prisão do ex-governador se movimenta pela cidade é incompatível com sua condição de réu beneficiário da delação premiada, sobretudo porque a exerceu de forma parcial, informando apenas aquilo que lhe convinha, sob orientação de seu criador, Joaquim Roriz.

Na gestão Rosso, o delegado manteve sua influência política impondo as nomeações de colegas policiais que hoje ocupam as secretarias de Transportes, Cultura e Desenvolvimento Econômico, além do Detran local, um dos nichos de maior corrupção no governo anterior.

Não se tem notícia da continuidade das investigações, mas sabe-se que o MP lutava para convencer o delegado a ir além do que já disse, na certeza de que disse menos do que sabe.

Durval chegou a ser alertado para o risco de perder a condição de réu privilegiado pelo instituto da delação premiada se não a cumprisse de forma ampla, clara e irrestrita.

Desde então, é visto em cenários e circunstâncias que comprometem a seriedade do processo e estimulam a versão de que nada lhe acontecerá porque não teria exibido ainda nem a metade dos famosos vídeos com os quais chantageia expressiva parcela do empresariado e dos políticos de Brasília.

Seu casamento recente foi dos mais luxuosos e estrondosos da Capital, prestigiado por personagens que emprestam crédito ao mito do delegado que faz o que quer porque “tem todos na mão”. A ele teria comparecido até a primeira-dama, Karina Rosso, representando o governador.

Durval faz circular a idéia de que possui vídeos comprometedores do atual governador, o que explicaria as nomeações de colegas por ele indicados.

Tal cenário estabelece para o governo Agnelo Queiroz, a quem o eleitor de Brasília confiou um mandato de motivação saneadora, o desafio de promover uma assepsia administrativa e política, sem a qual dificilmente avançará.

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