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24/11/2010

Vou de táxi. Mas preferia ir de ônibus

Do Correio Braziliense:

Passageiros enfrentam grande fila no ponto de táxi do Aeroporto esta manhã

Uma grande fila se formou em frente ao ponto de táxi do Aeroporto Internacional de Brasília Presidente Juscelino Kubitschek, na manhã desta terça-feira (23/11). A funcionária do apoio de tráfego Elisângela Monteiro afirma que o problema é frequente. “Toda segunda, terça e quarta-feiras a procura é grande. Nesses dias, é maior o movimento de voos, por conta de políticos e empresários que moram em outros estados e trabalham aqui”, diz.

Apesar da grande fila e do longo período de espera dos passageiros, as assessorias de imprensa da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) e o Sindicato dos Taxistas informaram que o fluxo de táxis é normal nesta terça.

Comento:
Quando chego ao aeroporto de Brasília em horário de tráfego intenso, tento economizar tempo (e também dinheiro) tomando um táxi até a estação Asa Sul. De lá, vou para casa de metrô. Às vezes me finjo de forasteiro, indico ao motorista meu destino e fico esperando para ver no que vai dar. Quase sempre o sujeito tenta me levar para a estação da 114 Sul, só para ganhar uns trocados a mais na corrida. Alguns chegam ao cúmulo de dizer que não sabem onde fica a estação Asa Sul.

Nesse meu esquema particular de deslocamento,  a primeira coisa que me chama a atenção é a balbúrdia no ponto de táxi do aeroporto. A segunda é que às vezes, ao entrar no táxi, sinto um odor nada leve de bebida alcoólica emanando do motorista. E a terceira, que talvez tenha a ver com a segunda, é a alta velocidade em que os taxistas de Brasília dirigem, apesar dos pardais espalhados ao longo das vias.

Também sinto falta de encontrar na parte de trás do assento dianteiro um envelope de plástico transparente ou um adesivo com a ficha completa do veículo: número da licença, nome e foto do condutor, e um número de telefone para eventuais reclamações.  É assim em outras cidades, inclusive do Brasil. Aliás, em outras cidades os taxistas usam uniforme e os táxis são todos da mesma cor. Pode parecer preciosismo, mas isso tem grande simbologia: mostra organização, coisa que definitivamente  parece não existir por aqui.

Mas o que realmente me irrita é a inexistência de uma linha especial de ônibus que ligue o aeroporto ao centro da cidade, passando pelas estações de metrô, algo também muito comum em outras cidades do porte de Brasília.

Não sou muito fã de Barcelona, onde vivi alguns anos, mas tenho saudades do sistema de transportes públicos de lá, um dos melhores que já vi. Além de metrô, ônibus, táxis padronizados e em profusão, o sistema conta também com o Aerobus, de longe a mais econômica maneira de ir e voltar do aeroporto local.

O Aerobus não tem luxo nenhum. Nada de imaginá-lo um ônibus “executivo” como aquele que costuma circular nos ultrapassados devaneios classistas dos brasilienses. Suas diferenças em relação aos ônibus comuns consistem em ser ele um pouco maior, ter menos assentos e dispor de espaços com compartimentos para acomodar bagagem. Mais simples, impossível.

O bilhete do Aerobus pode ser pago de duas formas: em espécie (no valor exato da passagem) a uma maquininha ao lado do motorista, ou antecipadamente, em um terminal como este, que aceita também pagamento com cartão de crédito. Há vários espalhados pelo aeroporto.

A pergunta é inevitável: por que Barcelona dispõe de um serviço como esse e Brasília não? A resposta, também, é inevitável: primeiro porque Barcelona tem governo; segundo, porque o sistema de transportes públicos da cidade (inclusive no que se refere aos táxis) não é controlado por esquemas síndico-empresariais de contornos mafiosos como em Brasília.

Aliás, fico imaginando o que fará o Sindicato dos Taxistas se (e quando) o tal VLT entrar em operação a partir do aeroporto. Sequestrará o governador? Promoverá cerimônias de suicídio coletivo com taxistas ateando fogo às vestes em frente ao Palácio do Buriti?

Seja qual for o método de pressão que adotem, a resposta do GDF terá que ser uma só: aumentar o número de licenças para que mais táxis circulem pela cidade, o preço da tarifa volte à realidade e os táxis deixem de ser coisa da elite e se tornem apenas mais um meio de transporte, entre tantos outros.

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